CBV nega pressão em 'caso Tifanny'; técnico do Osasco diz que 'faltou zelo'
A CBV (Confederação Brasileira de Vôlei) realizou nesta quinta (1) a cerimônia de lançamento da temporada 26/27 da Superliga na COB Expo, em São Paulo. Todos os times estavam presentes — entre eles o Osasco, equipe de Tifanny, proibida de jogar a próxima temporada
Durante o evento, Radamés Lattari, presidente da CBV, disse que a entidade não sofre pressão sobre o assunto e afirmou que a medida foi " coerente". Enquanto isso, o treinador do Osasco, Luizomar de Moura, criticou a maneira como a medida foi tomada.
Coerência ou " falta de zelo"?
CBV afirma que medida se baseou no COI. Radamés Lattari, aos jornalistas presentes na COB Expo, disse que apenas seguiu a diretriz internacional sobre possíveis "vantagens" a atletas trans.
A CBV tem sido sempre coerente e se mantendo aliada ao COI. Durante muitos anos, o COI disse que, em determinado estudo, se as pessoas atingissem uma determinada taxa hormonal, poderiam jogar. E nós permitimos. A partir do momento que o COI diz que, no novo estudo, existe uma vantagem, a gente não pode mais permitir e acompanhamos o COI. Não existe pressão. A CBV, até pelo seu estatuto, está alinhada às normas do COI. Se o COI determina uma norma, nós cumprimos.
Radamés Lattari, presidente da CBV
Por outro lado, o treinador do Osasco reclamou do modo como a medida foi feita. Luizomar de Moura, que recebeu a notícia das novsa orientações pela internet, lamentou a falta de consulta por parte da CBV e disse que seguirá na luta para que Tifanny possa representar o time na Superliga, torneio que começa no próximo dia 17.
A gente recebeu essa notícia pela internet e fomos pegos de surpresa. Temos um bom relacionamento com a CBV. Fui técnico da seleção brasileira durante 15 anos e tenho muito carinho pela instituição. Faltou um pouco de zelo, e o momento foi muito ruim. A temporada estava em andamento, a Tifanny está sob contrato. Não tem o que fazer. Temos que lutar para que ela esteja em quadra e defenda nossa equipe nesta temporada.
Luizomar de Moura, técnico do Osasco
E a Tifanny?
Antes do evento em São Paulo, a atleta afirmou não sentir raiva, mas lamentou a falta de empatia diante da situação. Ela revelou ainda que ainda briga pelo direito de conseguir participar da temporada.
Tifanny, por outro lado, foi bem recebida pelo público. Antes e depois do evento, fãs foram até a jogadora, que distribuiu autógrafos e tirou fotos com eles.
Raiva eu não sinto, porque eu acho que raiva é um sentimento que machuca muito as pessoas. Eu sinto um desprezo, sinto uma falta de empatia muito grande. A raiva é um sentimento que as pessoas deveriam carregar dentro do coração. A gente deveria carregar amor e faltou muita empatia com o ser humano, com o atleta, com o clube, e principalmente com todas as pessoas que se inspiram em mim no esporte
É um momento muito difícil, porque ao mesmo tempo que a gente tem que estar focada no nosso treinamento diário, para estar competindo, ter que ouvir isso no meio de uma temporada não é fácil. Não é fácil porque a gente precisa dar o nosso melhor. E ao mesmo tempo a gente vem receber uma notícia dessa, como se eu fosse um bandida, e eu sou uma atleta que inspira muitas pessoas
Tifanny
Ausência no palco gera reclamação do Osasco
A apresentação da Superliga 26/27, feita na própria COB Expo, não contou com representantes de todos os times no palco. Na edição passada, todos os clubes haviam sido chamados — havia a expectativa para que isso se repetisse desta vez, porém, apenas o pódio do ano passado e os dois times que subiram da Superliga B foram chamados, o que gerou estranhamento, inclusive, de Tifanny.
Geralmente todos os clubes sobem, todos os patrocinadores são vistos, né? E eu e outros clubes foram silenciados, mas tudo bem. A gente sabe que é uma luta e a gente vai continuar lutando
Tiffany
O técnico do Osasco também comentou o assunto e lamentou que o seu time não teve os patrocinadores expostos — segundo ele, "por causa da Tifanny".
27 fotos no palco junto com todos os treinadores, tanto masculino quanto feminino, todas as atletas... Isso é uma grande recordação, né? Nesse ano, a gente não pôde ir pela presença da Tifanny aqui, a gente só tem que lamentar. Peço desculpas aos patrocinadores e boas equipes, seja masculino, seja feminino, que não puderam estampar a sua marca num evento tão importante. (...) A gente sabe da importância do apoio para o esporte brasileiro, principalmente no voleibol feminino. Se o motivo de não estar na foto (dos times no palco) é porque a Tifanny não estava aqui, a gente só tem que lamentar.
Luizomar de Moura
A reportagem entrou em contato com a CBV, que argumentou que a mudança ocorreu diante da exibição do evento em canais de televisão. Diante disso, a opção foi por reduzir o número de times que subiram no palco pela questão do tempo.