Casa Branca diz que “justiça será feita” contra inimigos dos EUA após indiciamento de Raúl Castro
A Casa Branca publicou nesta quarta-feira (20), após o indiciamento do ex-ditador cubano Raúl Castro pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, uma imagem na rede social X com a foto do presidente Donald Trump e a frase “Justice will be served”, “A justiça será feita”, em português. A publicação mostrava o ex-ditador cubano ao lado de Nicolás Maduro, Ali Khamenei e um líder do Estado Islâmico, sob a mensagem de que “os inimigos da América estão sendo neutralizados”.
A postagem foi feita horas após o Departamento de Justiça ter anunciado a acusação contra Raúl Castro pelos crimes de assassinato, conspiração para matar americanos e destruição de aeronaves. O caso envolve a derrubada, em 1996, de dois aviões da ONG Irmãos ao Resgate, episódio que deixou quatro mortos.
De acordo com a acusação, Raúl Castro teria ordenado o ataque quando ocupava o cargo de ministro das Forças Armadas Revolucionárias de Cuba. As aeronaves transportavam Carlos Costa, Armando Alejandre e Mario Manuel de la Peña, cidadãos americanos de origem cubana, além de Pablo Morales, cubano residente legal nos EUA.
O regime cubano sempre alegou que os aviões estavam em seu espaço aéreo e classificou os tripulantes como “terroristas”.
O procurador-geral interino dos EUA, Todd Blanche, afirmou em Miami que já há um mandado de prisão contra Raúl Castro e disse esperar que ele compareça à Justiça americana “por vontade própria ou de qualquer outra forma”. Segundo Blanche, autoridades americanas acusam pessoas que estão fora dos EUA com frequência, e a forma de levá-las à Justiça “varia”.
Raúl Castro, de 94 anos, pode enfrentar prisão perpétua ou pena de morte caso seja condenado pelas acusações mais graves. Segundo a senadora republicana da Flórida Ashley Moody, cada uma das quatro acusações de assassinato pode resultar em “pena máxima de morte ou prisão perpétua”.
O indiciamento ocorre em meio à escalada da pressão do governo Trump contra Cuba. Nesta quarta-feira, o Comando Sul dos EUA também anunciou a chegada do grupo de ataque do porta-aviões nuclear USS Nimitz ao Caribe, uma movimentação que ocorreu horas após o indiciamento de Castro.
O regime cubano reagiu classificando o processo contra Raúl Castro como “uma ação política, sem nenhuma base jurídica”. O ditador Miguel Díaz-Canel afirmou que a acusação busca reforçar argumentos para justificar uma eventual agressão militar contra Cuba.