Brasileirão com mais pré-convocados indica evolução ou piora dos exportados
A seleção brasileira nunca foi campeã mundial com mais convocados de fora do que de dentro do próprio país. Os 22 vencedores de 1958, 1962 e 1970 jogavam, todos, em clubes do Brasil. Em 1994, eram onze dentro e onze fora. No penta, treze convocados daqui e dez da Europa.
Impossível que seja maioria do Brasileirão na lista final de 26. O futebol globalizado mudou a realidade desde que a lei Bosman. Em 1999, o Chelsea foi o primeiro time do mundo a escalar onze estrangeiros.
A França, em 1998, foi a primeira seleção campeã com mais convocados vindo de outros campeonatos nacionais: nove da França, treze de fora. Repetiu isso em 2018 (9x14) e a Argentina se tornou, em 2022, o primeiro sul-ameircano a conquistar o título com mais chamados da Europa do que entrando no avião em Buenos Aires (1x25).
O Brasil terá mais convocados entre os 26 vindo da Europa. Inevitável. Para ser campeão, terá de quebrar este pequeno tabu, o de jamais ter levantado a taça com mais "estrangeiros". Vavá, do Atlético de Madrid, foi convocado para amistoso contra o Chile em 1960. Primeiro de clube internacional na seleção. Em Copas do Mundo, Falcão, da Roma, e Dirceu, do Atlético de Madrid, em 1982, foram os precursores.
Hoje, ter mais jogadores do Brasileirão na pré-convocação parece bom sinal. O campeonato melhorou. O nível está mais alto, não há preconceito de Carlo Ancelotti com os que jogam aqui dentro, mesmo sendo o recordista de troféus da Champions League, como treinador.
Mas há contraponto: o Brasil exporta menos em qualidade. Danilo era do Nottingham Forest. Hoje, do Botafogo. O Arsenal pode ser campeão inglês com um titular brasileiro, o zagueiro Gabriel Magalhães. São 32 nascidos aqui na atual disputa do Campeonato Inglês.
O Bayern, campeão alemão, não tem brasileiros no elenco. Mas a Champions League terá a 27a finalíssima consecutiva com jogadores nascidos no Brasil e aptos a jogarem pela seleção.
Opinião
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