Bilhões em IA racham mercado e acendem alerta para gigantes de tecnologia
O alto custo da inteligência artificial dividiu o desempenho das gigantes de tecnologia na bolsa de valores, com alta da Microsoft e Amazon e quedas de Google e Meta.
O que aconteceu
Temporada de balanços do segundo trimestre de 2026 revelou um racha entre as grandes empresas de tecnologia em Wall Street. O mercado financeiro passou a cobrar retorno imediato sobre os bilhões de dólares investidos em inteligência artificial (IA) pelas chamadas "Magníficas".
Microsoft e Amazon conseguiram convencer os investidores de que seus pesados investimentos em IA já geram receita. Ambas registraram saltos substanciais no faturamento de seus serviços de computação em nuvem, o Azure e a AWS, provando que a infraestrutura atrai novos clientes corporativos.
Por outro lado, Alphabet (dona do Google), Meta (dona do Facebook) e Tesla foram punidas com a queda de suas ações. O mercado penalizou as empresas devido à forte queima de caixa e ao aumento de gastos com infraestrutura física e de tecnologia, conhecidos como Capex.
Google registrou seu primeiro fluxo de caixa livre negativo desde 2004. A empresa gastou quase US$ 6 bilhões a mais do que arrecadou no trimestre, enquanto a Meta viu suas despesas saltarem 55%, o que derrubou o lucro em mais de 13%.
Reação do mercado e custos de IA
Especialistas apontam que o investidor não está punindo o investimento em infraestrutura por si só. "O mercado está exigindo evidência de que ele se converte em receita em velocidade compatível com o ritmo do gasto", analisou Nickolas Lobo, especialista em investimentos da Nomad.
Maior parte das big techs negocia hoje a múltiplos cerca de 25% abaixo da média dos últimos três anos. Segundo Lobo, esse desconto é o modo que o mercado encontrou para precificar o risco de uma interrupção no ritmo de crescimento acelerado dessas empresas.
Especialistas descartam que a oscilação das ações indique uma bolha de inteligência artificial. "Pelo lado da demanda, não é bolha", avaliou Will Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, acrescentando que o atual gargalo do setor é a falta de capacidade física para atender toda a procura das empresas em 2026.
O caso da Apple e o rumo do mercado
Apple adotou uma postura cautelosa e optou por não participar da corrida de gastos bilionários em Capex. Focada em IA rodando diretamente no iPhone e em uma computação em nuvem mais enxuta, a empresa foi elogiada por sua disciplina de capital no momento em que as concorrentes são cobradas.
Crescimento da Apple dependerá do sucesso de suas ferramentas de inteligência artificial. Para Pedro Teberga, professor e especialista em negócios digitais, o próximo ciclo de valorização dependerá menos da venda de iPhones e mais da capacidade de integrar a IA ao ecossistema.
Mercado financeiro agora aguarda com expectativa o balanço financeiro da Nvidia. Sendo a grande fabricante de chips e fornecedora de hardware para o setor, o resultado da empresa, que completa o grupo das "sete magníficas", será decisivo para ditar o ritmo das bolsas de valores até o fim do ano.