Autor do gol do Japão foi detido por estupro: 'Ninguém fala?', diz Milly
O debate sobre a vitória do Brasil sobre o Japão na Copa do Mundo 2026 ganhou um desvio fora de campo quando Milly Lacombe questionou o silêncio em torno do autor do gol japonês, Kaishu Sano, já ter sido detido por agressão sexual, no Fim de Papo, do Canal UOL.
Ao comentar a repercussão da fala de Kento Shiogai sobre a seleção brasileira, Milly disse que a reação nas redes foi marcada por xenofobia, enquanto o caso envolvendo o atleta que marcou para os japoneses passou sem a mesma indignação.
Eu estou chamando a atenção porque o jogador que fez o gol pelo Japão, ele foi preso por estupro. Ele teve que pagar uma indenização para a mulher que ele estuprou e pedir desculpas. Esse caso passou. Ninguém se incomodou. Está tudo certo, gente. Estuprar não tem problema nenhum.
Milly Lacombe
Na sequência, a comentarista voltou ao tema ao discutir a forma como o episódio foi tratado publicamente e fez uma distinção entre 'erro' e 'crime' ao citar a justificativa para a reintegração do jogador à seleção japonesa.
Eu até entendo o que o técnico dele fala, porque ele chama de erro o que fez o jogador. Não é um erro, é um crime. Então, a palavra certa tem que ser usada. Mas eu entendo o que ele diz. Tem que haver um caminho para a recuperação.
Milly Lacombe
Milly também disse que não defende apenas 'prender, cancelar e tirar da sociedade', mas cobrou precisão ao se usar o termo 'inocentado', porque, na visão dela, isso pode passar a ideia de que o crime não aconteceu.
Eu acredito nesse caminho. Então, eu entendo que haja um caminho de volta, especialmente se o cara levanta a mão e diz: realmente eu fiz, eu errei, eu quero aqui pedir desculpas. Deveria passar por um processo de ressocialização, trabalhando com vítimas, um, dois, três anos, mas o [termo] 'inocentado' aí me causa uma certa dor, porque passa a impressão de que ele não fez, sabe? Ele fez, ele fez sim.
Milly Lacombe
No mesmo bloco do programa, Julio Gomes também comentou o jogo e avaliou que o Japão 'sentiu' a partida, enquanto o Brasil cresceu no segundo tempo. Para ele, a seleção brasileira correu riscos ao mudar o desenho após a saída de Lucas Paquetá, mas a equipe conseguiu sustentar a pressão.
Eu concordo com a Milly: o Japão deu uma bela amarelada, sentiu o jogo. O Brasil fez um bom segundo tempo. (...) Jogar no 4-2-4 contra uma seleção rápida como a do Japão é um risco, mas o Brasil tinha que correr o risco. Acho que foi um acerto do Ancelotti.
Julio Gomes