Ataques da Ucrânia contra refinarias forçam Rússia a importar gasolina
Com refinarias na mira dos ataques da Ucrânia, o regime da Rússia decidiu importar gasolina por via marítima para tentar conter uma crise de abastecimento interno. A medida, considerada rara para um dos maiores exportadores de petróleo e derivados do mundo, foi revelada pela agência Reuters com base em informações de quatro fontes do setor.
Segundo a agência britânica, a Rússia deve receber ainda neste mês uma carga de gasolina em um de seus portos ocidentais. Uma das fontes afirmou que o combustível será enviado da Ásia, mas não detalhou o volume da operação nem os fornecedores envolvidos.
A decisão ocorre após meses de ataques ucranianos contra refinarias, oleodutos e instalações de armazenamento de combustível da Rússia. Kiev tem mirado a infraestrutura energética russa com o objetivo de reduzir a capacidade de Moscou de financiar a guerra e manter estável o abastecimento interno.
Os ataques mais recentes atingiram a refinaria TANECO e a refinaria de Moscou, levando à suspensão do processamento nas duas unidades, conforme fontes do setor ouvidas pela agência.
A falta de gasolina já foi relatada pela imprensa em cerca 12 regiões russas, segundo dados compilados pela Reuters.
Para tentar preservar o combustível disponível no mercado interno, o regime de Vladimir Putin chegou a proibir as exportações de gasolina por produtores até o fim de julho. A medida busca garantir estoques durante os meses de verão, quando a demanda por viagens e deslocamentos costuma aumentar.
Moscou também tem recorrido a importações de Belarus e, em menor escala, já buscou combustível no Cazaquistão. As fontes ouvidas pela Reuters, porém, afirmaram que os dois países não têm capacidade excedente suficiente para sustentar a Rússia em caso de uma crise mais profunda.
O Ministério da Energia da Rússia já reconheceu que os ataques ucranianos estão por trás de dificuldades no mercado doméstico de combustíveis. A pasta criou recentemente, segundo o The Moscow Times, um grupo de trabalho com grandes empresas do setor para tentar garantir a estabilidade do abastecimento.