Trump cita Bolsonaros e diz que Brasil é “politicamente perigoso”; Lula rebate: “Não se meta na eleição”

17 de Jun de 2026 - 16:00
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Trump cita Bolsonaros e diz que Brasil é “politicamente perigoso”; Lula rebate: “Não se meta na eleição”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu o mandatário dos Estados Unidos, Donald Trump, devido a comentários do republicano sobre a política brasileira. As declarações dos dois líderes foram feitas em entrevistas coletivas separadas que ambos concederam nesta quarta-feira (17), após o encerramento da cúpula do G7 na França.

Segundo informações de agências internacionais, Trump disse na sua coletiva que o Brasil se tornou “um pouco conturbado” e “perigoso politicamente”.

“Ouvi dizer que eles prenderam alguém que está concorrendo à presidência. Ouvi dizer que prenderam ‘Bolsonaro Jr’. Ele estava indo bem nas pesquisas, mas o prenderam ou querem prendê-lo”, afirmou Trump, aparentemente fazendo confusão entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à presidência, e seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), condenado na terça-feira (16) pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) a quatro anos de prisão em regime semiaberto e inelegibilidade por oito anos devido a acusações de crime de coação no curso do processo.

A respeito da eleição presidencial brasileira em outubro, Trump disse que “eles [brasileiros] jogam duro”. “Mas ninguém joga mais duro do que os Estados Unidos. Veja bem, nossas eleições são totalmente manipuladas. Nós temos eleições manipuladas”, disse, reiterando seu argumento de que o pleito de 2020, quando foi derrotado pelo democrata Joe Biden, teria sido fraudado.

Em entrevista coletiva separada, concedida depois da fala de Trump, Lula rebateu o mandatário americano.

“Não tem país no mundo — e os Estados Unidos poderiam aprender com o Brasil — com eleições mais tranquilas, mais leves e menos conturbadas. Não tem país no mundo que tenha um sistema de urna eletrônica como o nosso, em que duas horas após terminar as eleições, a gente já sabe o resultado”, disse Lula.

O petista afirmou que Trump “tem o direito de ter as preferências eleitorais e ideológicas dele” e que o presidente dos EUA “pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto”.

“Agora, não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil são um problema do Brasil, assim como as eleições americanas são um problema deles”, afirmou o presidente brasileiro.

Lula diz que não pediu reunião bilateral com Trump no G7

Lula e Trump se encontraram na Casa Branca no início de maio, mas desde então a relação entre os dois mandatários voltou a azedar.

Os Estados Unidos designaram os grupos criminosos brasileiros Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, o que foi classificado pelo governo petista como um desrespeito à “soberania” nacional.

Após ter suspendido a maior parte do tarifaço de 50% a produtos brasileiros imposto em 2025 – que havia sido aplicado devido ao processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro no STF, entre outros fatores –, a gestão Trump sinalizou este mês novas tarifas ao Brasil.

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), órgão do governo americano, sugeriu uma sobretaxa de 25% nas importações de produtos brasileiros, sob o argumento de práticas comerciais injustas, e outra de 12,5% ao Brasil e outros 59 países, alegando falhas no combate a mercadorias produzidas com trabalho forçado e escravo.

Trump e Lula se cumprimentaram brevemente na cúpula do G7. Apesar de o presidente americano ter sugerido na sua coletiva que se reuniu com o brasileiro no evento, dizendo que passou “bastante tempo” com ele, Lula alegou que não pediu uma reunião bilateral com Trump no G7 porque negociações entre os dois países estão em andamento.

“Acho que o que ele fez foi uma coisa desaforada para o Brasil, e ele sabe disso. É por isso que eu disse que ele ainda continua agindo como um imperador”, disse Lula na sua coletiva.

“Eu entreguei para ele um documento sobre o crime organizado para mostrar que a nossa Polícia Federal está preparada para enfrentar o crime organizado”, afirmou o petista.

“Entreguei por escrito, porque não quero só falar, porque o presidente Trump fala muito e ouve pouco. Fiz questão de entregar por escrito o que queremos sobre o combate ao crime organizado, sobre terras raras, minerais críticos e sobre o comércio”, acrescentou.