Argentina x Inglaterra será um jogo à flor da pele no campo e fora dele

14 de Jul de 2026 - 10:15
 0  0
Argentina x Inglaterra será um jogo à flor da pele no campo e fora dele

Estou, neste momento, dentro do avião indo para Atlanta para assistir e trabalhar nesta grande semifinal entre Argentina e Inglaterra. E escutando "Sargent Pepper's Lonely Hearts Club Band", o disco dos Beatles que mais amo por ser o mais psicodélico.

O que mais se fala nas reportagens é sobre os riscos de confronto entre as torcidas, tanto que o policiamento para essa partida aumentou significativamente. "Muita cautela" é a mensagem que estão passando. Claro que se tem motivos de sobra para esse receio de confronto por causa da Guerra das Malvinas; na década de 80, a rivalidade futebolística ultrapassou a fronteira, e os nervos ficam sempre à flor da pele quando argentinos e ingleses se veem frente a frente numa Copa do Mundo. Este será o jogo mais importante de todos, por decidir quem irá para a final da Copa do próximo domingo (19), no MetLife Stadium, em New Jersey.

Acredito que, dentro de campo, não haverá provocações em relação à guerra, mas, no lado dos torcedores, não tem como conter essa situação. Bastará algum torcedor inglês gritar algo ironizando o que aconteceu nas Malvinas para que tudo possa descambar.

Bom, para quem não sabe, o general ditador e sanguinário Leopoldo Galtieri ordenou a invasão do arquipélago em 2 de abril de 1982, mas o conflito terminou com a rendição dos argentinos e, como consequência, houve a queda de seu governo autoritário. Ele sacrificou centenas de jovens argentinos para tentar salvar a ditadura militar argentina, que pouco tempo depois caiu. Em 1985, todos os generais foram condenados à prisão e foram morrendo, pouco a pouco, atrás das grades. Em 1986, na Copa do Mundo do México, Maradona lavou a alma argentina fazendo um absurdo gol de mão e, depois, um dos gols mais lindos da história das Copas.

Espero que essa disputa se limite ao campo, com a bola rolando e muita disposição das duas seleções, e que as provocações em campo não cheguem a mexer nessa trágica história. Queremos ver Lionel Messi x Jude Bellingham, Julián Álvarez x Harry Kane, só para ficar entre os jogadores mais decisivos de ambas as seleções neste momento.

Talvez haja muito mais risco de confronto após a partida entre os torcedores — classificados e eliminados —, porque aí será difícil conter a fúria do perdedor e o deboche do vencedor.

Futebolisticamente falando, é uma semifinal extraordinária. A Argentina quer tentar ser bicampeã consecutiva e entrar para o grupo seleto da Itália — campeã em 1934 (em casa) e 1938 (na França) — e do Brasil, que venceu em 1958 (Suécia) e 1962 (Chile), chegando assim ao tetracampeonato do mundo. O que seria um feito assustador para o futebol brasileiro, que foi soberano por décadas como o único pentacampeão mundial e agora pode se sentir ameaçado por um concorrente muito poderoso.

A Inglaterra só tem um título em sua história, que é a Copa do Mundo de 1966, a qual ela própria sediou. Ou seja, é uma semifinal com muita coisa envolvida.

Opinião

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.