Sim, a IA deixa você mais burro; veja como não sacrificar sua inteligência
(Toda semana, e conversam sobre tecnologia no podcast. O programa vai ao ar às terças-feiras no, no, no e no.
Se você anda desconfiado, saiba que não é preocupação à toa. A inteligência artificial pode reduzir o engajamento cerebral, derrubar a retenção de conhecimento e criar uma sensação enganosa de produtividade, segundo estudos recentes sobre o impacto da tecnologia sobre a cognição humana.
No novo episódio de , o podcast do para os humanos por trás das máquinas, e analisam evidências sobre como a IA afeta a inteligência humana e dão dicas práticas para usar essas ferramentas sem "atrofiar" habilidades, como evitar a "terceirização do pensamento".
A IA é muito sedutora, resolve os problemas por nós, faz muitas coisas pra gente. E a gente sabe que o nosso cérebro é feito para economizar energia e atividades cognitivas demandam muita energia. Então o que a gente vê é o movimento das pessoas terceirizando o seu pensamento, a sua própria existência para a inteligência artificial. E aí a consequência disso acaba sendo a atrofiação da cognição. Por isso que a gente fala que é importante a gente resgatar o pensamento crítico, a metacognição, a importância de construir repertório. Porque a inteligência artificial pode sim ser benéfica, mas vai depender do uso que a gente faz.
Diogo Cortiz
Segundo Cortiz, existe uma coleção de evidências sobre o impacto da IA no pensamento crítico e na retenção de conhecimento, sobretudo quando a ferramenta é acionada para executar tarefas inteiras.
Um estudo entre Microsoft e Carnegie Mellon mostra que estudantes que se apoiam em ferramentas de IA conseguem ser mais ágeis e eficazes na entrega de tarefas, mas não armazenam os conhecimentos necessários para executar o trabalho.
Ao fim da disciplina, os alunos que usaram o ChatGPT entregaram os melhores projetos. (...) Só que, depois de algumas semanas, ele aplicou uma avaliação para ver a retenção de conhecimento. E aí o que aconteceu? Os alunos que usaram o ChatGPT foram todos reprovados, porque não tiveram engajamento cognitivo naquilo
Diogo Cortiz
Outro experimento usou eletroencefalografia enquanto alunos escreviam um ensaio. Depois comparou aqueles que usaram IA com os que não usaram. O grupo com IA lembrava apenas 18% do que escreveu, enquanto o grupo sem IA lembrava 89%.
O ponto que mais chamou a atenção, diz ele, veio quando os pesquisadores inverteram os grupos: quem começou com IA e passou a escrever sem IA não recuperou a conectividade cerebral observada antes, enquanto quem começou sem IA manteve o nível mesmo usando IA depois.
É como se a IA tivesse sugado a cognição dele ali. O grupo que começou sem IA, na hora que ele vai escrever com IA, ele mantém o mesmo nível de conectividade cerebral, não cai. (...) Isso começa a nos dar pistas de como usar a inteligência artificial, que seria num segundo momento.
Diogo Cortiz
Se a IA pode reduzir a cognição, como fica a promessa de produtividade e eficiência? A resposta, diz Cortiz, passa pelo chamado "paradoxo do desempenho".
O profissional consegue entregar a tarefa que deveria ser feita, com uma boa qualidade, muitas vezes excelente. Só que ele não consegue explicar o que fez. Ele não aprendeu a fazer aquilo. Você faz, mas o que foi que você fez de fato? Você fez uma terceirização muito rápida para a inteligência artificial.
Diogo Cortiz
Ele também menciona um estudo da Anthropic, que mediu os impactos da IA na formação de habilidades em programação. O resultado variou conforme o tipo de uso: copiar e colar o que a IA gera tende a formar menos habilidades do que interagir de forma crítica, pedindo explicações e revisando decisões.
Para Cortiz, o risco de ficar mais burro existe, mas não é inevitável. Para ele, o uso preguiçoso é o que mais empurra a pessoa para a terceirização cognitiva.
Se a gente continuar usando da maneira preguiçosa, sim. A IA vai deixar a gente mais burro.
Diogo Cortiz
Para não ficar mais burro com a IA, Cortiz lista habilidades que, na visão dele, preservam a soberania cognitiva: pensamento crítico, metacognição e repertório. Ele também recomenda evitar o problema do primeiro rascunho.
A orientação prática é começar sozinho, com papel, arquivo digital ou um "despejo de ideias", "e só depois chamar a IA para revisar, melhorar e expandir". Assim, a ferramenta entra mais como apoio do que como autora do processo.
Se você tem algo para fazer, seja escrever um texto, seja pensar num projeto, numa ideia, comece você sozinho. (...) E depois, num segundo momento, você passa a interagir com a inteligência artificial para, de repente, melhorar aquele texto, trazer novas ideias, aumentar o repertório daquele seu projeto. (...) A inteligência artificial entra como um colega de trabalho, que vai te auxiliar, vai dar palpite, vai opinar, vai te dar uma ideia, mas a partir daquilo que você está criando.
Diogo Cortiz
DEU TILT
Toda semana, e conversam sobre as tecnologias que movimentam os humanos por trás das máquinas. O programa é publicado às terças-feiras no e nas. Assista ao episódio da semana completo.