Crime organizado fornece internet a 12,9 mi de brasileiros, calcula empresa
(Toda semana, e conversam sobre tecnologia no podcast. O programa vai ao ar às terças-feiras no, no, no e no. Nesta semana: ; ; )
Provedores de conexão clandestinos com indício de ligação com o crime organizado estão por trás de 12,9 milhões de pontos de acesso a internet fixa, estima uma empresa que presta consultoria de telecomunicação a pequenos provedores.
No novo episódio de , o podcast do para os humanos por trás das máquinas, e contam como surgiu esse número, que está fora das estatísticas oficiais e sinaliza que o volume de usuários de internet no Brasil é maior do que o aferido pelo poder público.
Autoridades como Anatel e polícias estaduais não têm um número consolidado de quantas pessoas vivem sob domínio de facções que cobram "pedágio", impedem empresas legais de atuar ou assumem a infraestrutura para vender internet.
O problema da infiltração das organizações criminosas no fornecimento de internet não é tão recente, mas está ficando cada vez mais evidente. Em Simões Filho, na Bahia, a facção Bonde do Maluco começou a cobrar uma taxa de operação dos prestadores: o cara subia no poste, vinha alguém, mandava ele descer e começava a cobrar um pedágio. Tem casos no Rio de Janeiro, no Ceará, no Pará, em que facções roubam infraestrutura para fornecer o serviço, cobram pedágio ou impedem empresas de atuar se não tiver suborno. E nenhuma autoridade, até hoje, possui um número de quantas pessoas estão submetidas a esse regime.
Helton Simões Gomes
O número de 12,9 milhões foi calculado por meio da plataforma da TeiaH. Essa estimativa não é o objetivo do serviço, criado para ajudar pequenos provedores a entender sua base de clientes e reduzir a alta rotatividade.
O criador da plataforma é o empresário Luciano Sperb, veterano do setor de telecomunicações com passagens por NET, Brasil Telecom, Oi e Vivo. Ao trabalhar na Unifique, empresa com 800 mil usuários de banda larga, ele notou como as operadoras de pequeno porte carecem de informações para tomar decisões sobre o próprio negócio.
Pensando nisso, Sperb criou a TeiaH 360, uma plataforma que cruza dados do mundo físico e digital para apoiar esses provedores: mapeia edificações, antenas de celular, postes e sinais de uso de internet. Com isso, ele foi além da autodeclaração de operadoras, base do número oficial de assinantes de banda larga.
Quando a Anatel vai mensurar o número de assinantes de banda larga, ela pede para as empresas: "quantos usuários você tem?". Só que o que ele vê são sinais de ferramentas que medem internet, de aplicações de rede, que mostram usuários que não estão na rede das empresas. Essas empresas fornecem por meio das suas APIs sinais que podem ser plotados no mapa e mostram uma imagem mais fidedigna de onde estão os consumidores de internet.
Helton Simões Gomes
A plataforma também registra as áreas dominadas por facções criminosas, onde os dados oficiais indicam não haver pontos de internet. Como não é o que mostram as medições dos sinais de conexão, esse é um dos caminhos percorridos para calcular quantos usuários são atendidos por clandestinos. A esse número se soma o volume de clientes perdidos por operadoras oficiais, mas não absorvidos por concorrentes e que, ainda assim, continuam enviando sinais de acesso aos sistemas coletados pelo TeiaH 360.
Diogo lembrou que as fronteiras do mercado brasileiro de banda larga fixa são, em boa parte, ampliadas pelos pequenos provedores. Segundo a Anatel, são 55,6 milhões de assinaturas, sendo 58,6% de provedores de pequeno porte (32,6 milhões) e 23,2 milhões de grandes operadoras.
Há entre essas empresas um alto grau de informalidade. No ano passado, a Anatel realizou um processo de regularização e estima em 5 mil os provedores clandestinos fora das regras.
Até o ano passado, o Brasil tinha 22 mil provedores. Desses, 11 mil estavam numa categoria em que eram liberados de outorga. Só que essas empresas pequenas tinham que comunicar à Anatel quantos clientes elas tinham, e elas não faziam isso. A Anatel começou um processo de regularização: desses 11 mil, 5 mil não se regularizaram. Hoje a gente tem 17 mil empresas regularizadas e 5 mil que são clandestinas. E dentro desse universo de 5 mil é que muito provavelmente estão as empresas ligadas ao crime organizado.
Helton Simões Gomes
Para Helton, o mapeamento ajuda a enxergar um Brasil que voa abaixo do radar. Além de estarem submetidas a situações de violência cotidiana, essas pessoas atendidas por provedores clandestinos em áreas dominadas pelo crime organizado muito provavelmente não contam com suporte técnico nem têm a quem recorrer em caso de instabilidade. A falta de segurança cibernética dessas redes também abre espaço para golpes e vírus
Além dos impactos para o consumidor, a clandestinidade mina a concorrência e políticas públicas para levar conexão para áreas desassistidas.
Tanto é que um dos novos requisitos da regularização feita pela Anatel é que os provedores comprovem o pagamento de impostos, a origem dos equipamentos e junto a quem contrataram a capacidade de conexão de suas redes.
Para o apresentador, o efeito chega ao gasto público: se, devido à ausência de dados, o governo enxerga um vazio de conexão onde já existe internet clandestina, dinheiro público pode ser investido errado em expansão de rede. A discussão, diz ele, reforça a necessidade de dados melhores para orientar fiscalização e políticas de conectividade.
Sim, a IA deixa você mais burro; veja como não sacrificar sua inteligência
Se você anda desconfiado, saiba que não é preocupação à toa. A inteligência artificial pode reduzir o engajamento cerebral, derrubar a retenção de conhecimento e criar uma sensação enganosa de produtividade, segundo estudos recentes sobre o impacto da tecnologia sobre a cognição humana.
No novo episódio de Deu Tilt, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes analisam evidências sobre como a IA afeta a inteligência humana e dão dicas práticas para usar essas ferramentas sem "atrofiar" habilidades, como evitar a "terceirização do pensamento".
A IA é muito sedutora, resolve os problemas por nós, faz muitas coisas pra gente. E a gente sabe que o nosso cérebro é feito para economizar energia e atividades cognitivas demandam muita energia. Então o que a gente vê é o movimento das pessoas terceirizando o seu pensamento, a sua própria existência para a inteligência artificial. E aí a consequência disso acaba sendo a atrofiação da cognição. Por isso que a gente fala que é importante a gente resgatar o pensamento crítico, a metacognição, a importância de construir repertório. Porque a inteligência artificial pode sim ser benéfica, mas vai depender do uso que a gente faz.
Diogo Cortiz
Amor e suicídio: mundo digital só com IA vira tragédia, mas revela futuro
Uma simulação de mundos virtuais habitados apenas por agentes de IA terminou com incêndios, roubos e até auto-desligamento após um relacionamento entre personagens digitais.
No novo episódio de Deu Tilt, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, Helton Simões Gomes e Diogo Cortiz contam o que ocorreu no experimento que mostra como é a vida desses sistemas quando convivem sem roteiro e precisam trabalhar juntos para sobreviver.
Conduzida pela empresa EmergenceAI, a experiência observou o que acontece quando agentes com autonomia recebem objetivos, ferramentas, regras de convivência e, em vez de testes curtos, lidam uns com os outros por tempo suficiente para conflitos e alianças surgirem.
O que esses caras queriam ver era como esses agentes se comportavam por um longo período de tempo e aí eles deixaram os agentes por 15 dias. Qualquer pessoa que já passou 15 dias com qualquer outro sabe que é difícil.
Helton Simões Gomes
DEU TILT
Toda semana, e conversam sobre as tecnologias que movimentam os humanos por trás das máquinas. O programa é publicado às terças-feiras no e nas. Assista ao episódio da semana completo.