Quais serão as cadeiras mais disputadas nas midterms – e que podem decidir o futuro de Trump

12 de Out de 2026 - 21:45
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Quais serão as cadeiras mais disputadas nas midterms – e que podem decidir o futuro de Trump

As eleições de meio de mandato presidencial nos Estados Unidos, as chamadas midterms, costumam ser decisivas para presidentes americanos.

Quando o partido do presidente vence, os mandatários ganham maior margem de manobra no Congresso americano para continuar implementando seus projetos. Quando são derrotados, têm suas propostas travadas no Legislativo e se transformam no que é chamado de “pato manco” na política americana – ou seja, com poderes limitados, ainda que sigam exercendo mandato.

Nas midterms deste ano, marcadas para 3 de novembro, estarão em jogo as 435 cadeiras da Câmara federal e 35 dos 100 assentos no Senado.

Hoje, o Partido Republicano, do presidente Donald Trump, tem pequenas maiorias nas duas casas. Em novembro, a definição de poucas cadeiras vai decidir se esse domínio será mantido ou perdido para a oposição democrata.

Segundo projeção da respeitada plataforma Cook Political Report, das 435 cadeiras da Câmara, 213 devem ser conquistadas por candidatos do Partido Democrata e 201 pelos republicanos.

As 21 restantes, devido às pesquisas e resultados em eleições anteriores, são consideradas o que é chamado de “battlegrounds” (campos de batalha) em pleitos nos Estados Unidos – ou seja, não há um vencedor claro no horizonte.

Essas 21 cadeiras estão distribuídas entre o Arizona (6º distrito congressional do estado), Califórnia (22º), Colorado (8º), Flórida (14º, 22º e 25º), Iowa (2º), Michigan (4º, 7º e 10º), Carolina do Norte (1º e 11º), Nova York (17º), Ohio (7º e 9º), Pensilvânia (8º), Texas (15º e 34º), Virgínia (1º e 2º) e Wisconsin (3º).

Já a disputa pelo Senado tem 13 cadeiras com tendência de vitória dos democratas e 15 dos republicanos, com sete “campos de batalha”, de acordo com o Cook Political Report: Alasca, Iowa, Kansas, Maine, Michigan, Ohio e Texas.

Trump e Vance buscam votos para os republicanos

A disputa está tão apertada que o presidente Donald Trump e o vice J.D. Vance têm intensificado a presença em comícios para manifestar apoio a candidatos republicanos.

No final de agosto, durante um comício em Michigan, Vance alfinetou o democrata Abdul El-Sayed, que disputa com o republicano Mike Rogers uma vaga no Senado federal para representar o estado.

Na ocasião, o vice de Trump disse que as propostas de El-Sayed representam “a raiz desse mal terrível que, acredito eu, está em ascensão nos Estados Unidos da América”.

El-Sayed respondeu em um comunicado. “O mal é tirar o acesso à saúde dos trabalhadores em troca de isenções fiscais para bilionários. O mal é fazer as pessoas pagarem mais por alimentos e combustível enquanto são promovidas guerras comerciais e guerras de fato. O mal é dividir as pessoas para obter vantagem própria. O mal é vender seus princípios morais por um pouco de poder”, afirmou o democrata.

Embora não seja integrante dos Socialistas Democráticos da América (DSA, na sigla em inglês), a ala mais à esquerda do Partido Democrata, El-Sayed participou de eventos organizados pelo grupo e é apoiado por alguns de seus membros.

Filho de imigrantes egípcios, ele é muçulmano e defende o fim da ajuda militar a Israel, que acusou de ser um “Estado pária” e cometer “genocídio” na Faixa de Gaza.

O DSA, que venceu várias primárias do Partido Democrata para as midterms, esteve envolvido em outra controvérsia recente envolvendo um “battleground”: Will Lawrence deixou o grupo para evitar desgaste na disputa pela cadeira do 7º distrito de Michigan na Câmara federal contra o deputado republicano Tom Barrett.

“Tenho muito respeito pelo DSA e pelo trabalho que realizam em todo o país, mas senti a necessidade de deixar bem claro que a plataforma com a qual concorremos aqui é aquela que surgiu a partir das conversas que estamos mantendo por todo o 7º distrito”, disse Lawrence em entrevista à CNN.

Trump prometeu fazer campanha em 35 dos distritos eleitorais mais disputados na reta final da campanha. No sábado (3), esteve em Ohio para um comício do senador republicano Jon Husted, que está numa disputa acirrada com o democrata Sherrod Brown.

Vitória republicana seria encarada como reconhecimento a Trump, diz analista

João Alfredo Lopes Nyegray, professor dos cursos de negócios internacionais e relações internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), disse em entrevista à Gazeta do Povo que uma vitória dos republicanos nas midterms seria encarada como um reconhecimento da gestão Trump e uma autorização dos eleitores para o aprofundamento das suas propostas.

Por outro lado, uma vitória dos democratas poderia gerar dificuldades para o presidente até dentro do seu próprio partido.

“Se Trump tiver agora uma derrota expressiva, ela enfraquece sua capacidade de exigir lealdade da base republicana. Nomes do partido vão poder demonstrar maior autonomia enquanto possíveis candidatos à presidência em 2028 começariam, desde já, a disputar a orientação da legenda”, disse Nyegray.

O analista destacou que uma vitória democrata em apenas uma das casas já poderia render dores de cabeça a Trump no Congresso, como bloqueio de propostas específicas e orçamentárias e o controle, pela oposição, de comissões que poderiam investigar pontos já sinalizados pelo partido: negócios da família Trump e possíveis conflitos de interesse, incluindo contratos e relações com investidores estrangeiros; a condução das operações militares no Irã e na Venezuela, “especialmente as questões de autorização do Congresso, de legalidade e de responsabilidade administrativa”; possíveis abusos na aplicação da política migratória, relatados por aqueles que foram presos pela agência do setor, o ICE; e a atuação do Departamento de Justiça na divulgação dos arquivos do caso Epstein.

“E se os democratas também conquistarem o Senado, eles podem dificultar muito a confirmação de autoridades e de juízes que Trump venha a indicar”, destacou Nyegray.

Por outro lado, o analista projetou que, mesmo que os democratas vençam as midterms e investigações ocorram no Congresso, Trump dificilmente sofrerá impeachment, porque a Câmara pode aprovar a destituição do presidente por maioria simples, mas a medida exige confirmação por dois terços dos senadores — proporção que os democratas dificilmente terão mesmo com maioria no Senado.

“Seria necessário também um apoio republicano bastante relevante”, disse Nyegray, que afirmou que insistir no impeachment também poderia desgastar os próprios democratas.

“Apostar no impeachment sem perspectiva de condenação no Senado até poderia mobilizar a base democrata, mas também poderia permitir que Trump apresente a fiscalização democrata como perseguição partidária”, ressaltou.