Alcolumbre tenta aprovar fim da escala 6×1 para manter presidência do Senado
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), acelera a articulação para aprovar a PEC que acaba com a escala de trabalho 6x1. Pressionado pelo crescimento da bancada do PL e por derrotas políticas no Amapá, o parlamentar busca se aproximar do Palácio do Planalto e de partidos de esquerda para garantir sua reeleição ao comando da Casa em 2027, em um cenário de forte resistência da oposição.
Como Alcolumbre pretende usar a PEC 6x1 para se manter no poder?
Davi Alcolumbre enxerga na proposta que extingue a jornada de seis dias de trabalho por um de descanso uma oportunidade política valiosa. Ao pautar esse tema, que possui grande apelo popular e é do interesse do governo Lula, ele espera angariar o apoio do PT e de outras siglas de centro-esquerda para sua candidatura à reeleição da Mesa Diretora em fevereiro de 2027. Trata-se de uma estratégia para compensar o isolamento causado pelo avanço da bancada conservadora, transformando uma pauta eleitoreira em moeda de troca para garantir sua sobrevivência política no comando da Casa.
Quais são as principais barreiras para a aprovação rápida da medida?
O regimento do Senado impõe ritos rigorosos para Alterações na Constituição. Uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) exige dois turnos de votação com o apoio de pelo menos 49 senadores em cada um. Além disso, há prazos fixos de cinco sessões de discussão no primeiro turno e três no segundo. Para contornar isso antes do segundo turno das eleições, aliados do governo planejam apresentar um requerimento de calendário especial, que permite realizar várias sessões de debate no mesmo dia. Alcolumbre já sinalizou que aceitará esse atalho regimental se houver um protocolo formal dos líderes.
Por que a oposição tenta adiar a votação desta proposta trabalhista?
Liderados por Rogério Marinho, os parlamentares de oposição criticam a pressa de Alcolumbre e argumentam que votar um tema tão sensível no meio de uma campanha eleitoral é inadequado. Eles sustentam que o país não ganha com uma análise acelerada e enxergam a movimentação como uma tentativa de desgastar a imagem de Flávio Bolsonaro, que disputa a eleição presidencial. Além disso, apontam que, mesmo se aprovada, a mudança exigirá leis complementares para ser aplicada, sugerindo que o governo quer apenas usar o assunto como bandeira política imediata para influenciar os eleitores.
O que causou o enfraquecimento político de Alcolumbre no cenário atual?
O prestígio do atual presidente do Senado foi abalado por dois fatores principais: as derrotas regionais e o atrito com a ala conservadora. No Amapá, seu reduto eleitoral, os candidatos que ele apoiou para o governo e para as vagas no Legislativo foram derrotados. Paralelamente, no plano nacional, o PL elegeu 28 senadores e cobra de Alcolumbre o andamento de pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal, especialmente Alexandre de Moraes. Ao manter 134 petições engavetadas, ele perdeu o apoio da centro-direita, que agora sinaliza preferência por nomes como o de Rogério Marinho.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.