Leilão confirma empresa de Marcos Lamacchia como compradora da SAF do Vasco
O leilão realizado hoje na Justiça do Rio confirmou a Almirante Participações, do empresário Marcos Lamacchia, como compradora da SAF do Vasco.
Agora, o negócio precisará ser aprovado pelo conselho deliberativo do Vasco, e posteriormente, validada pela assembleia geral extraordinária do clube.
O processo de venda também está sendo acompanhado pela agência do fair play da CBF.
"Vai ser o maior projeto esportivo da América do Sul", disse Mário Junqueira, sócio de Lamacchia.
A Almirante foi a única a fazer proposta pela compra das ações e, sem concorrência, foi declarada vencedora em audiência na 4ª Vara Empresarial do Rio.
A empresa do enteado da presidente do Palmeiras, Leila Pereira, chegou ao leilão como o stalking horse — na tradução literal, o cavalo a ser perseguido.
A proposta da Almirante foi a balizadora do leilão.
Lamacchia já tinha feito até durante a semana um depósito judicial de R$ 27 milhões, antecipando o valor referente a dois anos da recuperação judicial do Vasco.
E qual o preço mínimo?
Tecnicamente, o que está sendo vendido é uma UPI Equity, uma unidade de produção isolada de ações, em um mecanismo feito para isolar ativos específicos de uma empresa em recuperação judicial. Assim, o controle do futebol é vendido sem que o comprador leve também as dívidas do passado.
A atual SAF Vasco terá que criar uma nova sociedade anônima e passará as ações à vencedora do leilão. O combo também envolve propriedade intelectual da marca Vasco e o uso de São Januário.
Pelo edital, a proposta precisava assegurar R$ 500 milhões de aporte total, sendo R$ 100 milhões por ano no período de 2026 a 2030.
O valor de R$ 500 milhões deverá ser usado exclusivamente com o futebol e não poderá ser destinado a pagamento de dívidas.
Há ainda a exigência de que a nova SAF vá investir R$ 120 milhões ao longo de 10 anos no CT do Vasco e outros R$ 30 milhões em dois anos para melhorar a estrutura da base.
O futuro dono da SAF se deve se comprometer ainda a conduzir projetos de incentivo fiscal para o Vasco que totalizem R$ 150 milhões, captados ao longo de 10 anos.
Como contrapartida pelo uso do estádio, tendo prioridade e exclusividade de uso até 31 de dezembro de 2030, a empresa que vencer o leilão terá que pagar R$ 3 milhões por ano ao Vasco. Esse montante cai para R$ 2 milhões se houver reforma que impossibilite o uso do estádio.