IA é a tecnologia que ficou 'barata' mais rapidamente na história humana
Um novo levantamento do instituto de pesquisa Epoch AI aponta que o custo para obter um mesmo nível de desempenho em inteligência artificial está despencando num ritmo que não tem paralelo na história recente da tecnologia. Em outras palavras: "pensar" com IA está ficando mais barato como se o preço de um carro novo caísse para o valor de um lanche em pouco tempo.
*Segundo a Epoch AI, desde 2023 o custo para alcançar um mesmo nível de performance em IA caiu cerca de 47% por trimestre, o que dá algo como 13 vezes mais barato por ano.
*O estudo diz que essa queda é mais rápida do que a de outras tecnologias que mudaram a economia, como sequenciamento de DNA, chips (capacidade de computação), baterias de e até eletricidade.
*A Epoch AI afirma que há sinais "mais grosseiros" de que a tendência pode vir desde o começo do uso comercial de grandes modelos de linguagem, em novembro de 2021, quando a OpenAI liberou o GPT-3 de forma ampla.
*A velocidade da queda varia por tipo de tarefa: em quebra-cabeças e jogos, a redução foi mais lenta (39% a 43% por trimestre), enquanto em matemática foi mais rápida (50% a 52% por trimestre).
*Um padrão observado é que o preço cai mais rápido logo depois que um nível de desempenho vira o "melhor do mundo" (o chamado SOTA, sigla em inglês para "estado da arte"): em média, 66% por trimestre nesse momento, e cerca de 32% por trimestre dois anos depois.
*A Epoch AI ressalta limitações: empresas podem "treinar para a prova" (melhorar em testes conhecidos), e ir bem em benchmark não é o mesmo que fazer trabalho útil no mundo real.
*Por mais que preços para uma tarefa estão caindo a ponto de novas IAs serem praticamente de graça - -, as empresas ainda seguem com dificuldades de encarar custos de implementação de IA. Os recursos mais avançados, como a capacidade agêntica, exige IA ligada 24 horas por dia e modelos mais caros.
*A questão que fica é que OpenAI e Anthropic, as empresas na "fronteira" da tecnologia, ainda estão muito longe de serem lucrativas - e continuam pressionadas pela concorrência chinesas a baratearem seus produtos. Até onde essa guerra vai ainda é uma incógnita - e por isso alguns falam em "bolha da IA" prestes a explodir.
E teve mais isso...
1) Agente da Meta usou humanos por trás
*Segundo a Reuters, a Meta testou no Muse um recurso de "concierge humano", em que uma pessoa assume a ligação quando a voz da IA não dá conta - o famoso operador de telemarketing.
*Conversas internas vistas pela Reuters indicam que um usuário disse que uma seguradora desligava repetidamente quando o bot avisava que não era humano.
*Ainda segundo a Reuters, houve preocupação interna de que esse formato pudesse expor informações sensíveis do usuário a um operador humano.
*A promessa do "agente que faz por você" fica mais duvidosa quando, na prática, parte do trabalho pode cair no colo de um humano - e aí privacidade e responsabilidade viram o centro da história.
2) ChatGPT e Google avançam em agentes por voz (e por telefone)
*A OpenAI liberou capacidades de agente no modo de voz do ChatGPT na web e no celular, permitindo executar tarefas por comando falado, como criar documentos, rascunhar e-mails e pesquisar na internet.
*O uso varia por plano: assinantes Plus e Pro têm acesso a mais ferramentas, incluindo um navegador na nuvem para executar tarefas online e integrações com serviços como e-mail, Slack e Google Drive.
*Já o Google anunciou no Pixel 11 um experimento em que o Gemini pode ligar para comércios locais e conduzir a conversa inteira, com transcrição ao vivo e opção de o usuário assumir a qualquer momento.
*Voz é o "atalho" para colocar agentes no cotidiano: é como ter um assistente no viva-voz enquanto você dirige ou faz outra coisa - mas isso também aumenta o risco de a IA agir rápido demais, no lugar errado, com a informação errada.
3) Um agente tentou reservar restaurante e o cliente acabou bloqueado
*A CNN conta o caso de um investidor que pediu ao assistente Instinct para conseguir uma mesa em um restaurante concorrido e acabou banido do Resy.
*Segundo ele, o agente ficou "pingando" a plataforma "centenas de vezes por hora", o que levou o sistema a identificar comportamento de bot e bloquear a conta.
*O Resy disse à revista Restaurants Business que não permite que bots ou agentes de terceiros não aprovados acessem ou interajam com a plataforma de forma independente.
*Agente de IA é ótimo para tirar tarefas chatas da frente - até o momento em que ele vira um "usuário apressado demais" e quebra regras do serviço, gerando dor de cabeça para você.
4) Google quer testar computação de IA no espaço
*O Google detalhou o Project Suncatcher, um projeto de pesquisa que vai lançar um satélite protótipo para testar como TPUs (chips usados para IA) se comportam em órbita.
*A ideia de longo prazo é explorar se satélites, com acesso quase constante à luz do sol, poderiam um dia hospedar infraestrutura escalável de computação para IA.
*O texto descreve desafios como radiação, vibração do lançamento, resfriamento no vácuo (sem "vento" para dissipar calor) e comunicação entre satélites por laser.
*Se a IA está ficando mais barata no software, a corrida agora também é física: energia, chips e onde colocar datacenters. Levar parte disso para o espaço é a versão "moonshot" dessa disputa.
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Dica de IA na prática: use a IA para testar decisões de decoração antes de gastar dinheiro
A maioria das pessoas usa IA para decoração de um jeito muito básico: manda uma foto do cômodo e pede "decore este ambiente".
Dá para fazer algo bem mais útil: transformar a IA em uma espécie de diretora de projeto, capaz de comparar alternativas, respeitar as limitações reais do ambiente e apontar problemas que você talvez só percebesse depois da compra.
Comece reunindo o máximo possível de informações reais sobre o ambiente:
- fotos tiradas de diferentes ângulos;
- medidas do cômodo;
- posição de portas e janelas;
- móveis que precisam permanecer;
- pontos de iluminação, tomadas e ar-condicionado;
- objetos que você quer manter;
- referências de ambientes que você gosta;
- orçamento aproximado.
Envie esse material para a IA e não peça imediatamente uma decoração.
Primeiro, peça para ela analisar o espaço:
"Analise este ambiente como um designer de interiores. Antes de sugerir qualquer mudança, identifique as características e limitações que você consegue observar. Separe o que é possível afirmar pelas imagens do que é apenas uma hipótese. Considere circulação, proporção dos móveis, iluminação, pontos de acesso, armazenamento e uso do espaço."
Depois vem a parte mais interessante.
Peça para a IA criar três conceitos diferentes para o mesmo ambiente, mas com uma regra: cada um deve partir de uma estratégia diferente.
"Agora crie três propostas para este mesmo ambiente. Não quero apenas trocar cores e objetos. Cada proposta deve ter uma lógica diferente de organização do espaço. Explique qual problema ela resolve, quais elementos seriam mantidos, quais seriam substituídos e quais são os principais compromissos de cada alternativa."
Faça a IA criticar as próprias propostas
Em vez de escolher a primeira imagem bonita, faça uma segunda rodada:
"Agora seja extremamente crítica com as três propostas. Procure problemas de circulação, proporção, iluminação, excesso de elementos, dificuldade de manutenção, custo e incompatibilidades com as características reais do ambiente. Não tente defender as propostas. Quero descobrir o que pode dar errado."
Depois você pode pedir uma terceira etapa:
"Com base nessa análise, monte uma quarta proposta incorporando as melhores soluções das anteriores e eliminando os problemas encontrados."
Esse processo é muito mais poderoso do que simplesmente pedir para a IA "deixar o quarto bonito".
Quando chegar a uma proposta que você realmente goste, peça para a IA transformá-la em um plano de execução, separando:
- mudanças que não exigem compra;
- itens que podem ser reaproveitados;
- itens que precisam ser comprados;
- mudanças que exigem profissional;
- decisões que ainda precisam ser confirmadas antes da compra.
Você também pode pedir para ela criar uma lista de compras com critérios, em vez de simplesmente procurar produtos:
"Para cada item que falta, defina as características que ele precisa ter para funcionar nesse ambiente: dimensões aproximadas, material, formato, cor, função e o que deve ser evitado. Não escolha produtos ainda."
Só depois disso vale partir para a pesquisa de produtos.
Reportagem
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