Governo investiga lavagem de dinheiro em contas de bets com mais de R$ 1 mi
O Ministério da Fazenda colocou sob investigação cerca de 40 contas de plataformas de apostas online (bets) que apresentam saldos remanescentes atípicos de R$ 500 mil e até superiores a R$ 1 milhão. , Dario Durigan, no primeiro dia de vigência do bloqueio nacional que tirou do ar os sites de apostas sem autorização para funcionar no Brasil.
O que você precisa saber
A fiscalização identificou um grupo de usuários que concentra quase todo o dinheiro esquecido nas plataformas suspensas. A apuração aponta que uma fatia mínima de contas com saldos elevados infla o montante total de R$ 1,325 bilhão que ainda aguarda resgate. "Um por cento, algo como 200 mil apostadores, representam 80% do saldo que hoje está pendente de ser resgatado nas apostas até então autorizadas, e 3,4% dos apostadores representam 90%", afirmou o ministro.
Os saldos atípicos de alto valor serão alvo de uma devassa fiscal para apurar a origem dos recursos e a ligação com facções criminosas. O governo suspendeu o fluxo automático de devolução para os perfis que acumulam quantias incompatíveis com o perfil médio dos apostadores recreativos.
Algumas contas que têm um volume muito grande ainda de saldo remanescente, acima de R$ 500 mil, acima de R$ 1 milhão. Essas já estão sob investigação para a gente poder evidenciar (...) se há lavagem de dinheiro.
Dario Durigan, ministro da Fazenda
O pente-fino está concentrado em poucas dezenas de usuários identificados pelos sistemas de inteligência financeira. A Fazenda monitora o destino dessas transferências para evitar que o encerramento das atividades das bets sirva como mecanismo de branqueamento de capital ilícito. "São cerca de 40 contas que a gente segue investigando, porque tem um volume muito desproporcional ao que a gente vê no restante das contas", declarou Dario Durigan.
A equipe econômica estima que a retirada de circulação das operadoras irregulares estancará uma perda diária milionária da renda das famílias brasileiras. "A gente já tinha identificado entre R$ 600 milhões e R$ 650 milhões por dia que saiu da poupança popular e ia para as apostas, dinheiro da economia real, que passa a ficar com as famílias", concluiu o ministro.
R$ 1,3 bilhão nas contas
Mais de R$ 1,3 bilhão ainda precisa ser devolvido aos clientes das plataformas. Segundo a SPA (Secretaria de Prêmios e Apostas), do Ministério da Fazenda, "R$ 1,325 bilhão ainda aguarda devolução, e cerca de 26,5 milhões de apostadores têm saldo".
Milhões de contas ativas possuem valores inferiores a um real. Ao todo, são 86,2 milhões de contas com saldo de centavos, o que ajuda a explicar a quantidade de dinheiro esquecida.
Valores esquecidos ou travados terão um destino específico após o prazo bancário. Se houver qualquer impedimento para a restituição do dinheiro na conta de origem, os saldos serão transferidos para a Caixa Econômica Federal a partir do dia 14 de outubro.
O prazo para a retirada voluntária do dinheiro acabou na segunda-feira (5). A partir de agora, "as empresas terão até quarta-feira (7) para encaminhar às instituições financeiras os saldos remanescentes de cada apostador", discriminados por CPF.
O governo federal constatou que quase todas as bets cumpriram o bloqueio imediato. Dos 188 sites autorizados a operar até então, apenas um seguia ativo no primeiro dia da proibição, mas o bloqueio deste já foi solicitado pelas autoridades brasileiras.
Os bancos farão o pagamento do saldo restante diretamente nas contas dos usuários. O repasse vai ocorrer entre os dias 9 e 14 de outubro "conforme a conta bancária utilizada para os depósitos".
Sites ilegais
As autoridades brasileiras derrubaram mais de 13 mil páginas clandestinas de jogos. Entre 25 de setembro e 6 de outubro, 13.241 sites ilegais foram encaminhados para bloqueio pela SPA e pelo Ministério da Justiça.
O governo também mandou apagar milhares de contas de redes sociais ligadas às bets. Foi solicitada a "remoção de 3.552 páginas, perfis, canais, grupos e servidores" em plataformas como Facebook, Instagram, TikTok e Telegram.
O alcance dos canais suspensos passava de 17 milhões de usuários. O governo monitora o cumprimento das medidas para impedir que novas páginas burlem as proibições vigentes de publicidade de apostas.