Fonseca fez seu melhor jogo na semana, mas solidez de Zverev triunfou
Foi a melhor atuação de João Fonseca no Masters 1000 de Monte Carlo. Sim, superior ao que o brasileiro de 19 apresentou contra Arthur Rinderknech, na segunda rodada, e Matteo Berrettini, nas oitavas. Ainda assim, não foi o bastante para superar o atual número 3 do mundo, Alexander Zverev, que avançou por 5/7, 7/6(3) e 6/3. O nível de exigência técnica, tática e física imposto pelo alemão mostrou-se alto demais para o carioca hoje.
Taticamente, Fonseca mostrou ter um plano bem pensado. Com o alemão devolvendo muito atrás, o brasileiro entrou em quadra variando bem, às vezes usando saques abertos para fazer Zverev jogar o resto do ponto na corrida, às vezes usando curtinhas logo na primeira bola - e até fez um saque-e-voleio quando encarou um break point no início do jogo.
Tecnicamente, houve altos e baixos. Não que João tenha feito um jogo ruim, mas enquanto seu tênis teve momentos de nota 10 (sobretudo na segunda metade do segundo set) também teve instantes nota 6-7. Foi assim em um período de dez minutos entre o 11º game do primeiro set, quando o placar mostrava 5/5, e o game inicial da segunda parcial, que também erros de Fonseca. Zverev aproveitou e converteu dois break points que tiveram peso importante no jogo.
Houve, claro, 10-15 minutos brilhantes, quando João elevou seu nível, impondo um tênis ainda mais agressivo e tomando a frente do segundo set. Mostrou recursos, coragem, energia e todo o pacote que apaixona fãs de tênis ao redor do mundo. Seu tie-break, se não foi perfeito, foi digno de aplausos.
Faltou, porém, energia na reta final. Quando o terceiro set começou, Fonseca já dava sinais de desgaste e tentava definir os pontos mais rapidamente, correndo mais riscos. Fez apenas seis winners e acumulou 16 erros não forçados. No sexto game, cometeu três dessas falhas e perdeu o saque. Talvez conseguisse se salvar contra outro oponente. Zverev e seu sarrafo mais alto não perdoaram.
E não custa lembrar: Alexander agora soma dez semifinais de Masters 1000 apenas no saibro. Embora ninguém pense imediatamente no alemão como um grande saibrista, trata-se de um número 3 do mundo e finalista de Roland Garros. Nunca seria um jogo simples.
Opinião
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