F1 - "Apenas um passo atrás": Entenda quais problemas McLaren tenta resolver com atualizações finais de 2026
A McLaren iniciou no GP dos Estados Unidos de Fórmula 1, em Austin, a introdução de um pacote de atualizações que será implementado em etapas até o GP de Las Vegas. O objetivo é corrigir os problemas de instabilidade do MCL40 e ampliar a capacidade de extrair desempenho de forma consistente. Leia também:
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Isso porque, apesar das duas vitórias conquistadas por Lando Norris na metade da temporada, o desempenho da equipe não se consolidou no restante do campeonato. O carro evoluiu a ponto de figurar entre os mais rápidos nas curvas de alta velocidade, mas continuou apresentando dificuldades nas retas e nas curvas lentas, além de um comportamento imprevisível que exige muito dos pilotos. “Para fazer o carro ser rápido, temos simplesmente de nos esforçar muito para ser perfeitos, e não se pode ser perfeito”, afirmou Norris após os treinos para o GP dos Estados Unidos. “Estamos apenas um passo atrás". Em Singapura, o britânico chegou a dizer ter estado "no limite em todas as curvas", sendo necessário pilotar o carro "dentro de uma janela exata, precisando forçar em todos os sentidos; exige muita concentração e capacidade e é difícil demais juntar voltas durante a classificação". Lando Norris, McLaren Photo by: Angela Weiss / AFP via Getty Images
O desempenho em curvas de baixa velocidade não depende apenas da aerodinâmica. Embora Norris tenha um estilo de pilotagem mais adaptável do que muitos outros pilotos, isso também exige que o carro apresente determinadas características. Ele aborda o ápice das curvas de maneira mais aberta do que outros, utilizando uma sobreposição maior entre acelerador e freio. Seu ponto forte é a capacidade excepcional de perceber quando os pneus dianteiros ganham aderência lateral no meio da curva, característica que ele aproveita para ajudar a fazer o carro rotacionar. Um dos fatores que prejudicam Norris é a geometria da suspensão da McLaren, projetada para reduzir os movimentos da dianteira nas frenagens e da traseira nas acelerações. Embora isso ajude a manter o carro mais estável e a aerodinâmica mais eficiente, também pode dificultar a percepção do piloto sobre a aderência dos pneus, tornando mais difícil identificar os limites do carro e confiar em seu comportamento nas curvas. Sem esse feedback, Norris não consegue confiar plenamente nem na dianteira nem na traseira do carro. Isso ajuda a explicar por que, no ano passado, seu desempenho melhorou drasticamente após um início de temporada difícil, quando a McLaren desenvolveu para ele uma geometria alternativa para a suspensão dianteira. Nesse contexto, não é surpresa que a McLaren tenha começado com uma geometria dianteira revista para esta última atualização em Austin, juntamente com elementos do difusor reperfilados. Entende-se que a próxima fase da atualização será aplicada no Brasil, com mais novidades em Las Vegas, dependendo dos prazos de fabricação. Os novos componentes que a McLaren trará foram aprovados entre o GP dos Países Baixos, no final de agosto, e o GP de Itália, na primeira semana de setembro. Os recursos de design estão totalmente focados no carro de 2027 desde então. Fontes internas dizem que a equipe identificou uma nova direção aerodinâmica durante a pausa de abril, causada pelo cancelamento dos GPs do Bahrein e da Arábia Saudita. A convicção era que, em última análise, isso levaria a um teto de desempenho mais elevado do que o conceito com que o time começou a temporada. Esta é uma ocorrência relativamente típica na F1, especialmente durante um novo regulamento. Mas é muito fácil saltar para a conclusão de que um pacote de atualizações foi, de alguma forma, um fracasso se não proporcionar um ganho imediato e significativo no tempo por volta. Do ponto de vista da engenharia, trata-se simplesmente de estabelecer uma nova base de referência. Lando Norris, McLaren Photo by: Simon Galloway / LAT Images via Getty Images
A McLaren apresentou a primeira versão de seu novo conceito aerodinâmico durante o GP do Azerbaijão, com mudanças significativas nos sidepods e ajustes em diferentes partes do assoalho, difusor e suspensão traseira. Essas alterações foram projetadas para melhorar a forma como o ar circula pelo carro e aumentar a eficiência aerodinâmica. A equipe, porém, fez questão de controlar as expectativas, destacando que as novidades não deveriam proporcionar um ganho expressivo no tempo de volta logo na primeira corrida. As circunstâncias da corrida fizeram com que a nova configuração da McLaren parecesse pouco eficaz à primeira vista. Norris foi prejudicado por um problema no sistema de injeção de combustível, enquanto Oscar Piastri teve dificuldades para manter os pilotos da Red Bull atrás dele no início da prova. Mais tarde, Piastri perdeu posições e saiu da zona de pontuação após travar as rodas na segunda relargada após safety car. Posteriormente, a equipe reconheceu que parte da desvantagem nas retas também estava relacionada à dificuldade de extrair o máximo desempenho da unidade de potência Mercedes. "Teremos mais algumas atualizações para a parte final da temporada, que são o tipo de atualizações que seguem a base estabelecida com as que entregamos em Baku", disse o chefe de equipe Andrea Stella após o GP de Singapura. "Não era esperado que o passo dado em Baku fosse grande, mas foi fundamental para algumas coisas que levaremos para a pista a partir de Austin e nas etapas seguintes. Estou ansioso para ver como será nossa competitividade e espero que voltemos a condições de disputar por pódios e depois pela vitória". A McLaren não é a única equipe que enfrenta problemas de instabilidade ao tentar melhorar o desempenho. No GP de Singapura, a Mercedes chegou a utilizar duas versões diferentes do carro para entender o comportamento das atualizações mais recentes, mas optou por manter a configuração nova em Austin. “As atualizações nem sempre funcionam simplesmente ao colocar as peças no carro. Nem sempre é fácil extrair todo o potencial delas. Acho que continuamos com um carro muito difícil de pilotar. Vencemos duas corridas e conquistei alguns pódios, mas foram por margens muito pequenas. Com um carro assim, não é possível manter esse nível de desempenho de forma consistente”, afirmou Norris. NOVOS DETALHES sobre CÂMARA na F1! Bortoleto comparado a SCHUMACHER. Hamilton na RBR? | FELIPE MOTTA
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