Dólar abre em alta, a R$ 5,16, com petróleo e decisões de juros no radar
O dólar abriu os negócios nesta semana em alta, cotado a R$ 5,16, com agentes econômicos influenciados pelo preço do petróleo pressionado e pelas decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos.
O que aconteceu
Dólar abriu negócios nesta segunda-feira em alta. Na abertura, a moeda americana foi cotada no comercial para a venda a R$ 5,159, variação de 0,65% ante fechamento de ontem, quando a divisa caiu 0,9%.
Semana passada, dólar oscilou quatro centavos. Considerando as cotações de fechamento, a divisa americana foi negociada entre R$ 5,09 e R$ 5,13. No exterior, a alta do petróleo alimentou ordens de compra da moeda americana, enquanto no ambiente doméstico, apostas de uma disputa eleitoral mais acirrada pela corrida presidencial sustentaram o real.
Petróleo abriu a semana em alta. Impasse nas negociações para a reabertura da navegação no Estreito de Hormuz alimenta riscos de abastecimento global da commodity, dizem analistas. Por isso, a escalada das tensões no Oriente Médio amplia a aversão ao risco nos mercados, pressionando as Bolsas ao redor do mundo. O contrato futuro do barril do tipo Brent avançava 3,6% e era negociado a US$ 108,32 às 9h (de Brasília).
Decisões de juros nesta semana vão dominar atuação de agentes de mercado no Brasil e nos Estados Unidos. Na chamada , os bancos centrais americano e brasileiro vão anunciar as respectivas taxas de juros de referência das duas economias após encontros de política monetária.
Nos Estados Unidos, predomina aposta de que o Fed elevará juros para conter a inflação. Indicadores de emprego fortes e alta de 0,4% nos preços ao produtor em agosto pressionam a política monetária. O Federal Reserve manteve a taxa na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano nos últimos cinco encontros, mas seus diretores sinalizaram preocupações com a inflação.
No Brasil, mercado financeiro prevê novo corte na taxa Selic. No mesmo dia, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central define a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic. .
Apesar das apostas predominantes no alívio agora, quadro é de incerteza para os próximos passos da política monetária. A mediana das estimativas da última versão do Relatório Focus indica que a redução da taxa básica de juros na semana que vem será a última neste ano.
Na Bolsa, investidores testam fôlego do atual ciclo positivo. O Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa do Brasil B3 recuou na sexta-feira, mas manteve os ganhos acumulados desde 17 de agosto, da ordem de 12,5%.
Fluxo de capital externo é definidor dessa tendência, dizem analistas. No atual ciclo de alta do Ibovespa, o saldo das aplicações dos estrangeiros, grupo que responde por cerca de 60% do giro financeiro na Bolsa do Brasil B3, está positivo desde 21 de agosto, somando aportes de R$ 11 bilhões.
Nas últimas semanas, investidores vêm interpretando que o maior dinamismo da campanha da oposição, com recuperação nas pesquisas de intenção de voto, somado a um noticiário considerado relativamente mais desfavorável ao governo, tem reduzido a percepção de risco sobre os ativos brasileiros e favorecido a valorização do real. Leonel Oliveira Mattos, economista na StoneX
Corporativo
Ações da Petrobras acompanham cotação do petróleo. As (preferenciais a dividendos) e (ordinárias com direito a voto) da petroleira, que respondem por 12% do Ibovespa, apuram ganhos da ordem de 30% desde 7 de julho, oscilando de acordo com o preço do barril.
Vale acompanha alta do preço do minério no exterior. Também relevantes no Ibovespa, com peso de 11% no índice, têm oscilado perto de R$ 80, ao redor dos maiores patamares desde junho, apoiadas nos preços do minério.