Divina Terra aposta em 'virada de bandeira' para crescer 30% neste ano
A Divina Terra, rede brasileira de suplementos e produtos naturais, traçou um plano ousado para crescer 30% em 2026: "virada de bandeira" —ou seja, fazer com que lojas do segmento já em operação mudem de nome e tornem-se uma unidade da Divina Terra.
Marcos Costacurta, fundador da rede, diz que a meta é converter dez lojas neste ano e, em 2027, dobrar para 20. Segundo ele, o impacto estimado no faturamento da empresa em 2026 será de cerca de R$ 1,2 milhão —a rede, que tem 81 franquias, faturou R$ 130 milhões em 2025.
Para encontrar interessados nessa virada de bandeira, a empresa mapeou mais de 400 comércios independentes em São Paulo, no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Segundo Costacurta, o perfil ideal são lojas com faturamento acima de R$ 100 mil por mês, localização estratégica, mix focado em produtos naturais e suplementos e gestão familiar ou pouco profissionalizada, que desejam acelerar o crescimento.
O mercado saudável é pulverizado, e muitos lojistas independentes enfrentam dificuldades em gestão, margem e negociação com fornecedores Marcos Costacurta, fundador da Divina Terra
Os ganhos para o lojista são vários, como ter acesso a uma marca consolidada como a Divina Terra e aumentar a margem de lucro, já que haverá melhor negociação de compra com os fornecedores, além de marketing estruturado, treinamento e padronização Marcos Costacurta
O investimento para conversão fica entre R$ 20 mil e R$ 100 mil. Segundo Costacurta, o valor é definido em função das adequações necessárias do mix de produtos que o lojista já tem e do espaço físico.
Em 2025, já houve virada de bandeira. Jairo Weirich, 48, há cerca de seis anos tinha uma loja de outra rede, em Farroupilha (RS). No ano passado, ele decidiu não renovar o contrato e optou por virar bandeira para a Divina Terra. "Sempre tive vontade de ser Divina Terra, pelo tratamento que a empresa dá aos franqueados. A Divina Terra continua vendo o franqueado, de fato, como um sócio", afirma.
"Como eu já tinha um faturamento muito bom, a ideia era não perder força e continuar crescendo. Tem também crescimento de marca, muito mais variedade de produtos e apoio, que é o principal. Foi uma mudança bastante positiva", declara.
Suplementos e produtos naturais
A Divina Terra foi criada em São Leopoldo (RS), em 2011. Tem cerca de 3.500 produtos no portfólio, entre eles suplementos, produtos naturais (grãos, castanhas, farinhas especiais) e veganos, snacks saudáveis, vitaminas e minerais, fitoterápicos e chás funcionais, entre outros. O ticket médio das lojas é de R$ 130.
Creatina e inibidor de apetite são os mais vendidos. Toda a produção é terceirizada em indústrias homologadas no Brasil. Em 2025, a Divina Terra lançou uma marca própria de encapsulados e suplementos: a Vivea.
A marca é forte entre os consumidores das classes A, B e C. "Temos forte presença de nutricionistas, profissionais da saúde e praticantes de atividade física", diz Costacurta.
Quanto custa a franquia?
A rede tem hoje 81 lojas franqueadas em 16 estados. Os modelos de negócio são lojas de rua, de shopping e em supermercados. Tem ainda o .
Uma franquia tem investimento inicial de R$ 290 mil até R$ 700 mil. O faturamento médio mensal vai de R$ 150 mil (loja de rua) a R$ 380 mil (loja de shopping). O lucro médio é de 18%.
Uma novidade para este ano são as vending machines. "A ideia é testar esse novo modelo de negócio para ser instalado em empresas", afirma. Também neste ano a empresa vai lançar o modelo de contêiner, com foco em supermercados. A franquia deve ficar por volta de R$ 200 mil.
Marca surfa na onda fitness
Mercado está em alta. Aldo Batista, consultor de negócios do Sebrae-SP, diz que o boom do fitness e do uso de canetas emagrecedoras ajuda a turbinar o segmento. "Afinal, quem usa esses medicamentos tem necessidade de suplementos de proteína, de vitaminas e de fibras, porque precisam repor isso no organismo. Esse fenômeno impacta nas vendas das empresas que atuam nessa área", afirma.
Divina Terra aglutina o mercado atraindo pequenas lojas consolidadas. Para Batista, apesar de pequenas, as lojas mapeadas já têm clientela, o que faz com que a Divina Terra tenha acesso a novos mercados. "É uma troca: o lojista pequeno que virar bandeira tem acesso ao mix de portfólio e ao know-how da Divina Terra, e a Divina Terra entra em outros mercados praticamente com custo zero", declara.
Escolha dos pequenos lojistas é ponto de atenção. Segundo o consultor, a franqueadora deve entender se o pequeno lojista tem condições de assumir a marca. Para isso, diz Batista, a empresa deve ter auditoria para avaliar o desempenho do lojista e empregar metodologia para, se necessário, ajustar o negócio.
Expansão deve considerar as diferenças regionais. Batista diz que, no processo de expansão, a empresa deve considerar as diferentes culturas e hábitos de consumo das regiões do país. "Isso impacta, por exemplo, na escolha de mix dos produtos. Um produto muito consumido no Sul do país pode não fazer sucesso em outra região, porque os hábitos alimentares e a cultura são diferentes", diz.
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