“Cidade perdida” submersa de 5 mil anos impressiona por preservação

1 de Jun de 2026 - 22:45
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“Cidade perdida” submersa de 5 mil anos impressiona por preservação

No ano de 1967, arqueólogos observaram pela primeira vez uma das cidades submersas mais antigas do mundo, Pavlopetri, localizada na Baía de Vatika, situada no sudeste do Peloponeso, na Grécia.

Habitada há aproximadamente 5 mil anos, durante a Idade do Bronze, a "cidade perdida" impressiona por ser preservada quase completamente, com estruturas identificáveis sob a água.

Nas últimas pesquisas realizadas no sítio arqueológico, foi possível identificar pelo menos 15 grandes edifícios, e descobriu-se também um cemitério contendo 60 sepulturas de pedra.

Pesquisadores também reconheceram ruas, pátios, tumbas, além de artefatos antigos, como objetos utilizados em mesas e grandes jarros minoicos, que ajudam os arqueólogos a compreender o cotidiano dos habitantes da cidade antes de ela ter sido afundada.

Como era a cidade submersa

Ruínas da cidade arqueológica subaquática de Pavlopetri, ao largo da costa sul da Grécia

A cidade impressiona pelo planejamento urbano e uma organização incomum para a Idade do Bronze: ruas alinhadas, quarteirões regulares, áreas abertas definidas e, na época, até uma sofisticada rede de escoamento.

Para os estudiosos, a cidade funcionava também como um porto ativo e a integração entre moradias, vias e áreas de comércio reforça a ideia de que a antiga comunidade era ligada ao comércio marítimo.

Os estudiosos acreditam que uma série de terremotos violentos que afetaram a região tectônica do sul da Grécia causou o afundamento de Pavlopetri. Entretanto, mesmo com os fortes abalos sísmicos, as estruturas milenares da "cidade perdida" permaneceram intactas, mesmo sem a intervenção humana.

Como a cidade foi encontrada: entre a história e a atualidade

Quando "encontrada" pela primeira vez, os arqueólogos e historiadores identificaram apenas parte de Pavlopetri e os objetos encontrados na época datavam do período micênico, entre 1650 e 1180 a.C.

Com o avanço das pesquisas, descobriu-se que o local se expandia para além do sul, e que a cidade era, na verdade, muito mais antiga, com estruturas que remontam a 3.000 a.C.

Durante a Idade do Bronze, na Grécia, a sociedade caminhava para se tornar hierárquica e muito organizada, onde todos tinham um papel social definido.

A ascensão e queda de Pavlopetri coincidiram aproximadamente com o período das primeiras civilizações da Europa — os minoicos de Creta e, posteriormente, os micênicos da Grécia continental.

Ambos os povos foram importantes na consolidação do sistema palacial, isto é, um modelo de organização política, social e econômica baseado na centralização do poder nos palácios. É nesse contexto que muitos historiadores apontam o auge da cidade, quando seu litoral servia como um porto comercial estratégico da região.

Em 2016, a cidade foi incluída na lista do World Monuments Watch (Observação dos Monumentos Mundiais, em português). A lista tem como objetivo preservar locais considerados preciosos ao redor do mundo.

A associação afirma que "Pavlopetri está ameaçada pela poluição, danos causados pela ancoragem de navios, saques e pilhagens, bem como por projetos de construção de infraestrutura, como oleodutos e usinas de energia".

Cidade é retratada em jogo online com mais de 10 milhões de cópias vendidas

Em 2018, a Ubisoft, uma das maiores empresas de jogos eletrônicos do mundo, lançou o décimo primeiro jogo da famosa franquia (que também virou filme) Assassin's Creed. A edição Odisseia, ambientada na Grécia Antiga, com foco na Guerra do Peloponeso (431 a.C. – 404 a.C.) entre Atenas e Esparta, traz em seu mapa a reconstituição de Pavlopetri, entre os diversos pontos de exploração.

O jogo, em estilo “mundo aberto”, permite a visitação a monumentos históricos da Grécia Antiga, como o Partenon, o Oráculo de Delfos e o Templo de Zeus, além de possibilitar que o usuário mergulhe nas águas da Baía de Vatika e “conheça” a cidade submersa de Pavlopetri.

Conhecida por jogos que misturam RPG (estilo de jogo em que os participantes interpretam personagens e criam narrativas colaborativas) com acontecimentos históricos, a franquia Assassin’s Creed também tem edições ambientadas na Revolução Francesa, no Egito Antigo, na Roma renascentista, na Revolução Americana, entre outros.