Banco do Brasil cai mais de 6% com realização e rebaixamento do JPMorgan
As ações do Banco do Brasil (BBAS3) caíam 6,30%, a R$ 24,67, às 14h desta terça-feira (6), após dispararem 11% na véspera. Parte da queda ocorre em meio a uma realização de lucros depois da forte valorização de segunda-feira. O movimento também coincide com o rebaixamento da recomendação do banco pelo J.P. Morgan.
O que aconteceu
Banco americano reduziu a recomendação do BB de neutra para underweight, equivalente a uma expectativa de desempenho abaixo da média das ações acompanhadas pelos analistas. O relatório é assinado por Yuri Fernandes, analista-chefe do J.P. Morgan para o setor financeiro na América Latina, e equipe.
Parte da queda devolve a disparada de ontem. As ações do BB subiram 11% na segunda-feira, em meio à forte reação do mercado ao resultado do primeiro turno das eleições. Mesmo com a baixa desta terça, o papel ainda avançava cerca de 4% em relação aos R$ 23,72 do fechamento de sexta-feira.
J.P. Morgan vê recuperação demorada para o BB. O banco afirma que a recuperação dos resultados "pode levar alguns anos" e vê .o portunidades mais atraentes em outras instituições financeiras brasileiras. O BB enfrenta dificuldades principalmente na carteira ligada ao agronegócio.
Preço-alvo subiu, mas ficou abaixo da cotação atual. O J.P. Morgan elevou o preço-alvo das ações para dezembro de 2027 de R$ 22 para R$ 23. O novo valor ainda representa queda de cerca de 7% em relação aos R$ 24,67 registrados nesta terça. No relatório, o banco estima potencial de baixa de 13% em relação à cotação de fechamento usada na análise.
Por que elevar o preço-alvo e, ao mesmo tempo, rebaixar a ação? O J.P. Morgan reduziu em cerca de 1,5 ponto percentual o retorno exigido dos investidores para aplicar em ações brasileiras, acompanhando a melhora do ambiente de mercado. Isso aumenta o valor estimado das empresas, mas, no caso do BB, não foi suficiente para compensar as preocupações com os resultados.
O desconto da ação tem uma explicação. O BB é negociado por cerca de 80% do seu valor patrimonial, abaixo dos níveis vistos nos últimos anos. Mas o banco também está menos rentável: o retorno sobre o patrimônio, indicador que mede quanto a instituição consegue gerar de lucro com seu próprio capital, caiu de cerca de 20% nos melhores momentos para perto de 8% atualmente. Para o J.P. Morgan, isso justifica parte do preço mais baixo da ação.
Agronegócio continua sendo o principal ponto de preocupação. Os analistas incorporaram uma perspectiva mais difícil para a inadimplência do setor a partir dos dados de julho e agosto. A valorização do real e o risco de El Niño também aparecem como fatores negativos, apesar da melhora de algumas commodities.
Queda da Selic pode ter efeito duplo. Juros menores podem ajudar a reduzir a inadimplência, mas também tendem a pressionar a margem financeira do BB. O banco historicamente se beneficia de juros elevados por causa da base de depósitos de baixo custo e da elevada liquidez.
Bradesco sobe na preferência
O J.P. Morgan fez o movimento contrário com o Bradesco. A recomendação passou de neutra para overweight, equivalente a uma expectativa de desempenho acima da média das ações acompanhadas. O preço-alvo subiu de R$ 22 para R$ 26. Os analistas consideram que boa parte das dificuldades de curto prazo já está incorporada ao preço e destacam uma posição de capital mais confortável que a do BB.
Itaú continua sendo o banco preferido. O J.P. Morgan manteve recomendação overweight e elevou o preço-alvo de R$ 51 para R$ 60. O relatório destaca a rentabilidade elevada, a folga de capital e a capacidade do Itaú de crescer caso o cenário brasileiro fique mais favorável.
XP é a preferência entre as empresas ligadas ao mercado de capitais. O preço-alvo subiu de US$ 26 para US$ 38, com recomendação positiva mantida. O J.P. Morgan espera melhora das receitas e vê a empresa bem posicionada para se beneficiar de um ambiente mais favorável aos investimentos.
BTG também segue com recomendação positiva. O preço-alvo passou de R$ 66 para R$ 87. Depois da forte valorização recente, no entanto, o J.P. Morgan avalia que o potencial adicional de alta ficou mais limitado.
Nubank e Inter ainda têm espaço para valorização, segundo o banco. Os dois permanecem com recomendação overweight. O J.P. Morgan elevou o preço-alvo do Nubank de US$ 20 para US$ 23 e o do BDR do Inter de R$ 45 para R$ 55. Para o Nubank, o banco projeta crescimento do lucro próximo de 30% em dólares; no Inter, aposta em melhora adicional da rentabilidade.
B3 e Santander ficaram com recomendação neutra. O preço-alvo da B3 subiu de R$ 18,50 para R$ 24,50, enquanto o do Santander permaneceu em R$ 30. No caso da B3, o J.P. Morgan vê menos potencial de valorização depois do rali recente e aponta a concorrência como um dos riscos.