As múltiplas personalidades de Alexandre de Moraes: vítima, relator e julgador
, que é o relator de tudo no Brasil, no uma ação que acusa do crime de coação contra o Supremo no julgamento do pai dele, Jair Messias Bolsonaro. Explicando: o Supremo é a vítima, e a vítima vai julgar o suposto agressor. Não é incrível? É incrível – a acepção da palavra “incrível” é algo em que não é possível acreditar, de tão absurdo que é. Mas isso não é novidade: no , há gente acusada de planejar o sequestro e o assassinato de Moraes, e o próprio Moraes é relator e julgador. Nenhuma escola de Direito aceitaria uma coisa dessas, mas é o que acontece no Brasil.
Era previsível que tentassem incluir Flávio Bolsonaro nos inquéritos
Como era previsível também, uma vez que se tornou candidato, também virou alvo. Há pedidos do Psol e do PT para incluir Flávio nesse mesmo caso, alegando que ele foi para os Estados Unidos para pedir aos americanos que pressionassem o Supremo. O líder petista, Lindbergh Farias, acionou a Procuradoria-Geral da República pedindo a inclusão de Flávio, e agora um deputado do PSOL, Henrique Vieira, . Era de se esperar, até porque Flávio não só é candidato, mas também aparece nas pesquisas como o principal adversário de Lula.
A esquerda também se aproveita da relação entre Flávio e , quando o senador pediu ao banqueiro que pagasse o que ele havia se comprometido a desembolsar para a produção do filme sobre a vida de Jair Bolsonaro. A defesa de Vorcaro está preparando uma segunda versão da delação; na primeira, ele já tinha prometido devolver R$ 60 bilhões. Isso é praticamente o orçamento do Exército Brasileiro inteiro! Vorcaro tinha tudo isso? É incrível! E, se ele tinha tudo isso para devolver, é claro que ele tem reservas de toda ordem, bens imóveis, ativos de giro, em paraísos fiscais, em nome de laranjas...
Brasil não se cansa de comprovar que, aqui, o crime compensa
Esse é o problema do Brasil, que todo dia mostra como a desonestidade, a vigarice e a bandidagem recompensam. Não estamos em um país onde que vigora o dito “o crime não compensa”. Em qualquer país civilizado, a pessoa pratica o crime e é punida. Aqui no Brasil, vejam a , vejam o mensalão: a pessoa está envolvida, comprova-se tudo, e acaba solta. Na Lava Jato, já houve até devolução de multas pagas em delações premiadas. Gente que confessou o crime, que devolveu o dinheiro, recebe tudo de volta. Os jovens, as novas gerações, olham para isso e vão imaginar o quê?
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Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.
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