Ryan Kainalo cresceu, e o Circuito Mundial já é realidade em 2027

5 de Out de 2026 - 12:45
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Ryan Kainalo cresceu, e o Circuito Mundial já é realidade em 2027

Ryan Kainalo tem 20 anos e está vivendo a temporada que não só pode, como vai mudar sua carreira.

Ele começou o ano com um quinto lugar em Ballito, na África do Sul, em sua estreia no Challenger Series. Depois, caiu de cara no US Open. E é justamente aí que começa a aparecer uma das grandes diferenças entre o Ryan de hoje e o Ryan de alguns anos atrás.

Uma derrota precoce, especialmente para um atleta tão jovem, poderia ter abalado seu momento. Já aconteceu com ele, mas não desta vez.

Pouco depois, foi campeão do QS 6000 de Pantin, na Espanha, resultado que lhe deu pontos importantíssimos na corrida pelo Challenger Series. E, no último fim de semana, ganhou a etapa do Challenger Series de Maresias.

Com isso, virou líder isolado da divisão de acesso e praticamente garantiu uma vaga no Circuito Mundial de 2027.

Na prática, mesmo que seja eliminado nas duas primeiras baterias dos dois últimos eventos do ano, Ryan já terá pontuação suficiente para ficar com uma das vagas.

Evolução

E se engana quem pensa que Ryan "apareceu do nada" agora em 2026.

Ele já foi duas vezes campeão sul-americano júnior da WSL, venceu oito etapas do circuito júnior da entidade e também conquistou um título mundial júnior da ISA.

Ou seja: estamos falando de um surfista que ganha campeonatos desde muito novo. O talento nunca foi uma dúvida.

Mas talento, especialmente nos dias atuais do surfe competitivo, não é suficiente.

Ryan já havia disputado o Challenger Series em 2023. Era muito jovem, tinha pouca experiência e sentiu o nível da competição. Avançou poucas baterias e foi eliminado cedo na maioria das etapas.

Na época, apesar de ser algo completamente normal para alguém de 17, 18 anos, afetou Ryan.

Existe uma diferença enorme entre ser um excelente surfista júnior e conseguir competir contra atletas adultos, experientes, que vivem há anos de baterias, rankings, pressão e decisões em poucos minutos.

Talvez aquela experiência fosse justamente o que Ryan precisava. E parece que aprendeu.

Ele erra pouco

Hoje, o que mais me chama a atenção é a consistência.

Como bom discípulo da Brazilian Storm, os aéreos estão no repertório, mas Ryan evoluiu muito no surfe de borda, ganhou força e passou a jogar mais água. É um surfista completo e, principalmente, muito difícil de bater porque erra pouco.

E tem mais um fator importante: Ryan viaja desde criança, tendo mais de dez temporadas havaianas, por exemplo, além do apoio da família e uma estrutura profissional sólida desde cedo - como, por exemplo, a Billabong como patrocinador principal.

A experiência acumulada, somada ao talento, parece finalmente ter virado maturidade.

O Ryan de 2023 ainda precisava entender muita coisa. O de 2026 parece saber como competir e o que precisa fazer para vencer.

Claro que o Circuito Mundial será outro nível. Mas eu gosto muito das chances dele.

Ryan Kainalo cresceu, e agora o Circuito Mundial está logo ali.

Opinião

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.