6 pesquisas fresquinhas sobre IA que vão te deixar pensativo
O Brasil está vivendo uma fase em que a inteligência artificial deixou de ser "coisa de laboratório" e virou hábito: entra no trabalho, na faculdade e até na vida pessoal. Um pacote de pesquisas recentes ajuda a entender o tamanho dessa onda - e também onde estão os riscos e os gargalos, principalmente em privacidade, preparo e resultados reais nas empresas.
1) IA já virou "terapeuta", "médico" e companhia para muita gente
*73% dos usuários de IA generativa dizem usar essas ferramentas para temas de trabalho ou estudo (Cetic.br/NIC.br/CGI.br).
*58% usam para preferências e gostos pessoais, como filmes ou músicas.
*54% afirmam compartilhar sentimentos e emoções com a IA.
*52% dizem inserir dados de saúde, como sintomas e exames.
*50% já colocaram fotos próprias ou de pessoas conhecidas nessas ferramentas.
*Mesmo assim, 66% declaram estar preocupados ou muito preocupados com o uso de dados pessoais pelas empresas por trás dessas IAs.
2) No trabalho, o medo de "ficar para trás" já é maioria - e a liderança pesa
*65% dizem ter receio de ficar para trás se não se adaptarem rapidamente à IA (pesquisa Microsoft com 20 mil profissionais em 10 países, incluindo o Brasil).
*Só 26% afirmam que a liderança está claramente alinhada sobre como usar IA.
*Em outro estudo, trabalhadores relataram aumento de 17 pontos na percepção de valor da IA quando gestores demonstravam ativamente como usar (pesquisa Microsoft com 1.800 trabalhadores).
*Nesse mesmo recorte, o pensamento crítico sobre o uso da tecnologia subiu 22 pontos e a confiança em ferramentas mais autônomas aumentou 30 pontos quando o gestor virava "referência" (pesquisa Microsoft com 1.800 trabalhadores).
3) Empresas dizem que usam IA, mas a parte "avançada" ainda é minoria
*Doze milhões de empresas brasileiras dizem já usar IA, mas apenas 6% implementaram "agentes de IA" (pesquisa "Desbloqueando o Potencial da IA no Brasil 2026").
*Só 15% das companhias estariam no nível avançado de maturidade, com capacidade real de transformar ou criar novos modelos de negócios.
*58% ficam no estágio básico, usando IA para ganhos incrementais de eficiência; 27% estão no intermediário, integrando a tecnologia a produtos e serviços.
*59% das empresas dizem que a IA vai criar novos cargos.
*68% aumentaram investimentos em IA no último ano; entre as que adotaram, 72% relataram ganhos de produtividade e 79% esperam crescimento do negócio nos próximos 12 meses.
*48% apontam escassez de habilidades digitais e de IA como barreira; apenas 21% se sentem prontas para adotar IA "agêntica"; e só um terço diz estar confiante em medir o retorno (ROI).
4) O "fracasso" em IA costuma ser mais sobre dados e operação do que sobre o modelo
*Em 2025, 63% das organizações não tinham - ou não sabiam se tinham - práticas adequadas de gestão de dados para IA (Gartner).
*O Gartner projetou que 60% dos projetos de IA sem dados preparados seriam abandonados até 2026 (Gartner).
*Em janeiro de 2026, o Gartner afirmou que pelo menos metade dos projetos de IA generativa foi abandonada depois da prova de conceito por fatores como qualidade dos dados, controles de risco, custos e falta de valor empresarial claro.
*Em abril de 2026, apenas 28% dos casos de uso de IA em infraestrutura e operações foram considerados bem-sucedidos e capazes de atingir as expectativas de retorno.
*Só 22% das organizações disseram ter escalado IA para múltiplas unidades de negócio ou adotado uma estratégia "AI-first".
5) Educação corre para acompanhar - mas a governança do uso ainda é frágil
*76% dos empregadores brasileiros esperam aceleração da IA nos próximos dois anos, acima de EUA e Reino Unido no recorte do estudo (Pearson/AWS).
*80% dos líderes do ensino superior no Brasil descrevem o ritmo atual das mudanças trazidas pela IA como "extremamente rápido" (25%) ou "rápido" (55%).
*Entre empregadores brasileiros, "uso de ferramentas de IA" (44%) e "compreensão de riscos e limitações" (44%) aparecem no topo das prioridades para recém-formados.
*Apenas 52% dos estudantes brasileiros dizem que a universidade os prepara bem ou razoavelmente bem para um mercado baseado em IA.
*Só 15% dos estudantes afirmam ter conhecimento claro de alguma orientação institucional sobre uso de IA, e 30% preferem nem revelar como usam a tecnologia.
*34% dos empregadores brasileiros já apontam hábitos problemáticos em recém-formados, como dependência excessiva da IA ou aceitação acrítica dos resultados.
6) A corrida por software no Brasil já tem IA no meio
*Até agosto de 2026, o INPI contabilizou 6.017 depósitos de registro de software, contra 7.232 em todo o ano de 2025 (INPI).
*No primeiro semestre de 2026, houve crescimento de 75% nos depósitos em relação ao mesmo período do ano anterior.
*Em 2025, 19% dos depósitos (1.372) estavam relacionados à IA; até maio de 2026, foram 639 registros ligados à tecnologia em um universo de 3.040 depósitos analisados no período.
Reportagem
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